Mortalidade Infantil

Mortalidade Infantil

Dra Rosamaria Medeiros e Silva
Presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria

A Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP) acompanha com preocupação o aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil e em Santa Catarina.Em Santa Catarina esta taxa é inferior à registrada no Brasil (dados do Sistema de Informações em Saúde sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde de SC):

· Brasil = 12,8 a cada mil nascidos vivos (IBGE 2017)
· Santa Catarina = 9,92 (DIVE 2017) / 9,48 (DIVE 2018)

O aumento da mortalidade infantil é decorrente de causas multifatoriais. Podem ser biológicas e também socioeconômicas e de infraestrutura, cujos fatores nominamos de determinantes sociais.

Santa Catarina vem trabalhando em prol da diminuição para uma casa decimal a mortalidade infantil. Este trabalho envolve várias instituições, inclusive as não governamentais.

A SCP tem acompanhado o relevante trabalho do Comitê Estadual de Prevenção dos Óbitos Materno, Infantil e Fetal (CEPOMIF) e do Comitê Municipal (Floripa pela Vida), com representantes em ambos. Estes comitês são técnico-científicos, multiprofissionais, interinstitucionais e responsáveis pela proposição de medidas de prevenção e controle das mortalidades materna, infantil e fetal, respectivamente no Estado de Santa Catarina e no município de Florianópolis.

As sociedades médicas têm um papel muito importante nos comitês contribuindo na investigação dos óbitos e para a implementação de ações e de políticas públicas na área da saúde da criança e da mulher destinadas à prevenção, ao controle e à redução das mortalidades materna, infantil e fetal em Santa Catarina, para garantir mais atenção e melhor qualidade de vida para a população.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) considera grave e preocupante o aumento da taxa de mortalidade no Brasil e tem continuamente alertado o Governo e os gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) acerca dos inúmeros problemas que, certamente, podem ter influenciado o aumento desse número. Dentre eles, se destacam a falta de recursos e de infraestrutura para o funcionamento da rede pública de assistência; a desvalorização dos profissionais que prestam cuidados (médicos e demais membros da equipe de saúde); o desmonte das equipes especializadas no atendimento à criança; sobretudo nas salas de parto e nos primeiros anos de vida; e a dificuldade de acesso dos pacientes aos serviços de saúde (consultas, exames, internações e cirurgias).

Outros fatores que contribuem para este aumento são a prematuridade, baixo peso ao nascer, infecções perinatais e neonatais, malformações congênitas, e as altas taxas de cesarianas.
Em Santa Catarina, os óbitos neonatais precoces (até 6 dias de vida) vem aumentando e impactam na taxa de mortalidade.

O desafio atual é investigar, identificar as causas dos óbitos e atuar nas mortes evitáveis por atenção na fase pré-natal e parto e melhorar estes indicadores.

É importante que haja união de ações na sociedade, com mobilização conjunta e ações governamentais, efetivas e eficazes para mudar esta realidade. Devemos juntos promover ações para a redução da taxa de mortalidade.

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