Dra. Rose Marcelino assina artigo no Jornal Notícias do Dia

Para encerrar a Semana de Conscientização da Gravidez na Adolescência, a presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, Rose Marcelino, assinou artigo no Jornal Notícias do Dia sobre o assunto.

Confira a íntegra:

Gravidez na adolescência: um desafio que começa cedo e exige o compromisso da pediatria

Dra Rose Marcelino – Presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria

A Sociedade Catarinense de Pediatria convive, diariamente, com histórias que começam muito antes de uma gravidez na adolescência ser identificada. Elas surgem na infância, no silêncio que não foi escutado, na informação que não chegou, na vulnerabilidade que passou despercebida. Por isso, falar sobre esse tema é falar de prevenção, proteção e responsabilidade coletiva.

Embora as estatísticas venham diminuindo, os números absolutos ainda são alarmantes. Em 2024, foram registrados 272.520 nascimentos de mães adolescentes, dos quais 11.981 foram de meninas na faixa etária de 10 a 14 anos. Isso significa que, a cada hora, cerca de 44 adolescentes dão à luz no país, e cinco delas têm menos de 15 anos.

O estado de Santa Catarina acompanhou a tendência nacional de redução. Entre 2010 e 2022, a proporção de partos de mães adolescentes no estado caiu de 16,44% para 8,15%, uma redução de 50,4%.

No entanto, um ponto de atenção é que, ao longo da última década, Santa Catarina apresentou taxas de gestação na adolescência consistentemente superiores à média nacional.

A gestação em meninas de 10 a 14 anos, classificada como “gravidez na adolescência extremamente jovem”, representa o grupo de maior vulnerabilidade, como risco elevado à saúde e, muitas vezes está associada à violência sexual. No Brasil, em 2024, foram 11.981 partos nesta faixa etária, correspondendo a 4,4% do total de partos de adolescentes.

Este fenômeno está associado a maiores riscos de complicações obstétricas, evasão escolar (cerca de 18% dos casos de abandono escolar em 2016 foram por gravidez na adolescência) e impactos sociais e econômicos profundos para as meninas e suas famílias.

Nesse contexto, o papel da pediatria é central. O pediatra acompanha o crescimento, o desenvolvimento e os sinais sutis de sofrimento. É na Atenção Primária à Saúde que surgem oportunidades reais de escuta qualificada, orientação ética sobre sexualidade, educação em saúde e identificação precoce de situações de risco.

Ao trazer esse tema para o centro do debate, a Sociedade Catarinense de Pediatria reafirma seu compromisso com a promoção da saúde integral, a proteção dos direitos de crianças e adolescentes e o fortalecimento da prevenção como ferramenta essencial para um futuro mais justo, seguro e saudável.

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