Queimaduras na infância: Um acidente grave e muitas vezes evitável

As queimaduras estão entre os acidentes domésticos mais graves envolvendo crianças e representam importante causa de internação pediátrica no Brasil. A maioria desses acidentes acontece dentro de casa, especialmente na cozinha e nos quartos, durante situações rotineiras que muitas vezes parecem inofensivas aos adultos.

Crianças pequenas, principalmente abaixo dos cinco anos, são naturalmente curiosas, possuem pouca noção de perigo e têm pele mais fina e sensível, o que faz com que queimaduras aparentemente pequenas possam se tornar lesões graves. Líquidos quentes, panelas, fogões, tomadas elétricas, ferro de passar roupa, chapinhas de alisar cabelo, álcool líquido e objetos aquecidos estão entre os principais riscos domésticos.

Nos últimos anos, chama atenção o aumento de acidentes envolvendo chaleiras elétricas. Embora práticas e muito utilizadas no dia a dia, elas podem representar um risco importante quando utilizadas sem os devidos cuidados. Muitas vezes ficam posicionadas próximas às bordas de mesas e bancadas, com o fio acessível, permitindo que a criança puxe o aparelho sobre si. O resultado frequentemente é uma queimadura extensa por água fervente, principalmente em tórax, braços e face. Além disso, a água aquecida nas chaleiras elétricas atinge temperaturas muito elevadas em poucos minutos, causando lesões profundas mesmo após contato breve.

Algumas medidas simples ajudam significativamente na prevenção:


– Manter chaleiras elétricas e fios fora do alcance das crianças;
– Nunca deixar cabos pendurados;
– Evitar o uso desses aparelhos próximos às bordas de móveis;
– Guardar chapinhas de cabelo apenas após resfriamento completo e sempre fora do alcance das crianças;
– Priorizar o uso das bocas traseiras do fogão;
– Manter cabos de panelas voltados para dentro;
– Evitar carregar líquidos quentes com crianças no colo;
– Não permitir circulação de crianças na cozinha durante o preparo das refeições.

Em caso de queimadura, a orientação imediata é resfriar a área com água corrente em temperatura ambiente por alguns minutos. Não devem ser utilizados pasta de dente, manteiga, pomadas caseiras ou outras substâncias populares. Dependendo da extensão e localização da queimadura, a criança deve ser avaliada rapidamente por atendimento médico especializado.

A prevenção continua sendo a principal forma de proteção. Pequenas mudanças de hábito dentro de casa podem evitar acidentes graves, internações prolongadas e sequelas permanentes na infância.

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Dr. Rodrigo Feijó

Cirurgia Pediátrica

CRM/SC 9273| RQE 5269


Chefe da unidade de queimados do HIJG | Membro do Conselho Diretivo da Federação Íbero-Latino-Americana de Queimaduras | Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica

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