12 de março – Dia Mundial do Rim – 2026

Neste 12 de março de 2026 celebramos o Dia Mundial do Rim em um momento histórico para a saúde global. Em 23 de maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente a doença renal como prioridade mundial em saúde pública. A resolução incluiu a doença renal crônica (DRC) entre as doenças crônicas não transmissíveis prioritárias — ao lado das doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Esse reconhecimento amplia a visibilidade da DRC no cenário internacional e reforça a necessidade de investimentos em educação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento.  Além disso, destaca-se o compromisso com a equidade no acesso ao cuidado, incluindo desde o tratamento medicamentoso até as terapias de suporte renal. Trata-se de um marco que nos convoca, como profissionais da saúde, a fortalecer a atenção à doença renal em todos os níveis de cuidado.

Saúde renal e sustentabilidade: tema da campanha 2026

A campanha deste ano destaca a conexão entre saúde renal e sustentabilidade. Ao propor essa reflexão, chama a atenção para o impacto dos fatores ambientais sobre o risco de doença renal ao longo da vida. Esse tema amplia o olhar para além do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde. Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida.

Do ponto de vista pediátrico, dois conceitos são particularmente relevantes:

  • Teoria da Programação Fetal de Barker — exposições ambientais adversas durante períodos críticos do desenvolvimento fetal (como desnutrição materna, estresse ou contato com toxinas) podem “programar” alterações  fisiológicas duradouras, aumentando o risco de doenças crônicas, inclusive renais, na vida adulta.
  • Epigenética — fatores ambientais tais como ausência de água potável, poluição, saneamento inadequado, consumo de alimentos ultraprocessados, excesso de sal e gorduras, além do sedentarismo, podem modificar a expressão gênica sem alterar o DNA, influenciando o risco de DRC desde a infância.

Prevenção e detecção precoce: papel central da Pediatria

Outro eixo prioritário da campanha é o fortalecimento da prevenção, com ênfase na detecção precoce da doença renal. Sob essa perspectiva, a saúde renal na infância torna-se elemento central de uma agenda verdadeiramente sustentável.

A interação contínua entre ambiente e genoma modula a expressão gênica e, assim, molda trajetórias de saúde e doença, reforçando o papel da prevenção e da detecção precoce na prática pediátrica.

Na prática clínica, ações educativas e exames simples — como a urinálise e a dosagem de creatinina sérica — são ferramentas fundamentais para o rastreamento de grupos de maior risco, incluindo: crianças e adolescentes com diabetes ou hipertensão, com história prévia de doença renal ou cardiovascular, obesos, prematuros, ou com baixo peso ao nascer. Particularmente importante é valorizar e investigar alterações ultrassonográficas renais pré-natais que podem ser a primeira pista para anomalias dos rins e trato urinário.

A identificação precoce de alterações permite intervenções oportunas, com potencial de retardar a progressão da doença, reduzir complicações e preservar a qualidade de vida a longo prazo. Mais do que diagnosticar, trata-se de reconhecer precocemente, acompanhar de forma sistemática e atuar antes que o dano renal se torne irreversível.

No caso dos prematuros, essa vigilância merece atenção especial. Sabemos hoje que a prematuridade é fator de risco independente para DRC e complicações cardiovasculares futuras. A interrupção precoce da nefrogênese, associada à formação de menor número de néfrons e à hiperfiltração compensatória subsequente, estabelece uma vulnerabilidade estrutural permanente. Estudos populacionais robustos demonstram aumento significativo do risco de DRC ao longo da vida, particularmente entre prematuros extremos. Além disso, obesidade e crescimento compensatório acelerado podem atuar como um “segundo insulto” sobre um rim já vulnerável. Por isso, a história neonatal deve permanecer registrada e valorizada ao longo de toda a infância e adolescência. Monitorização da pressão arterial, rastreio laboratorial periódico conforme o risco individual, uso criterioso de nefrotóxicos e orientação consistente quanto a estilo de vida saudável são medidas simples, mas de alto impacto.

Neste Dia Mundial do Rim, o convite é claro: integrar a saúde renal de forma sistemática à rotina da Pediatria. Ao reconhecer precocemente os fatores de risco — muitos deles iniciados ainda na vida intrauterina ou no período neonatal — ampliamos nossa capacidade de modificar trajetórias.

Proteger os rins da criança, considerando o ambiente em que ela está inserida, é garantir a saúde do adulto de amanhã.

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Dra Nilzete Liberato Bresolin

Nefrologia Pediátrica

CRM/SC 3979 | RQE  5066

Presidente Departamento Científico Nefrologia SCP

Dra Vandréa Carla de Souza

Nefrologia Pediátrica

CRM/RS 21851 | RQE 20756

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