🎙️ SCP Cast – A voz da Pediatria em SC
Neste 5º episódio do SCP Cast, a presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, Dra. Rose Terezinha Marcelino, pediatra, gastroenterologista e nutróloga pediátrica, aborda um tema que gera muitas dúvidas nos consultórios e nas famílias: o diagnóstico e o tratamento da alergia à proteína do leite de vaca (APLV). A discussão parte das diretrizes mais recentes das sociedades europeias e brasileiras e chama atenção para um problema frequente na prática clínica: o sobrediagnóstico.
Segundo a especialista, sintomas isolados como alteração da cor das fezes, presença de muco, regurgitação, irritabilidade ou pequenos traços de sangue nas fraldas, quando ocorrem de forma pontual, não configuram diagnóstico de APLV. Na maioria das vezes, são manifestações benignas de bebês saudáveis. O diagnóstico precipitado pode levar a restrições dietéticas desnecessárias, com impacto no crescimento infantil, aumento de custos e maior estresse familiar.
O diagnóstico correto exige seguir todas as etapas recomendadas. Exames laboratoriais e testes cutâneos indicam apenas sensibilização e não confirmam alergia. O padrão ouro é composto por duas fases: dieta de eliminação da proteína do leite por duas a quatro semanas e, havendo melhora clínica, a realização do teste de provocação oral, feito de forma segura e supervisionada. Sem essa reintrodução, não é possível confirmar o diagnóstico.
No tratamento, a conduta deve ser individualizada. Em bebês em aleitamento materno exclusivo, a APLV é rara e a restrição alimentar materna não deve ser a primeira medida em casos leves. A observação clínica é indicada, reservando a exclusão do leite da dieta materna para situações específicas e persistentes, sempre com reposição adequada de cálcio e vitamina D. Para lactentes em uso de fórmula, a primeira escolha são as fórmulas extensamente hidrolisadas, deixando as fórmulas de aminoácidos para casos graves ou refratários.
A especialista reforça que dietas prolongadas e exclusão de múltiplos alimentos estão associadas a distúrbios alimentares na infância. A alimentação complementar deve seguir as mesmas recomendações das crianças sem APLV, exceto pelos laticínios. Quanto à prevenção, não se recomenda restrição alimentar na gestação ou lactação. A melhor estratégia envolve hábitos de vida saudáveis, incentivo ao parto vaginal, contato precoce com a natureza e uso criterioso de medicamentos. Informação correta, calma e condutas baseadas em evidências são fundamentais para cuidar da saúde infantil.
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Informação também é cuidado.
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Dra Rose Terezinha Marcelino
Pediatra | Gastroenterologia Pediátrica
CRM/SC 4899 | RQE 4600
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