SCP promove ação de conscientização sobre retinoblastoma e câncer infantojuvenil em Florianópolis

Câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil; ação no Hospital Infantil Joana de Gusmão vai orientar famílias sobre sinais que podem favorecer o diagnóstico precoce

O Brasil registra cerca de 7.930 novos casos de câncer infantojuvenil por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2023-2025. Para ampliar o conhecimento das famílias sobre os sinais de alerta, a Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP) promoverá, na manhã do dia 26 de setembro, uma ação educativa na emergência do Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis. A mobilização abordará o diagnóstico precoce dos diferentes tipos de câncer infantojuvenil e dará atenção especial ao retinoblastoma, tumor maligno que se desenvolve na retina e acomete principalmente crianças pequenas.

A iniciativa integra as mobilizações realizadas em setembro em diferentes cidades brasileiras e reforça duas importantes campanhas de conscientização. O Dia Nacional de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma, celebrado em 18 de setembro, enquanto o Setembro Dourado chama a atenção para o diagnóstico precoce do câncer em crianças e adolescentes.

Para a pediatra Dra. Denise Bousfield da Silva, organizadora da iniciativa e presidente do Departamento Científico de Oncologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), aproximar a informação das famílias é uma das estratégias para favorecer o reconhecimento mais rápido das doenças.

“Queremos aproveitar esse momento de contato com as famílias para falar de uma forma acessível sobre o câncer infantojuvenil. Teremos atividades para as crianças e, ao mesmo tempo, vamos orientar pais e responsáveis sobre sinais e sintomas que precisam ser observados. Informação também é uma ferramenta importante para chegarmos mais cedo ao diagnóstico”, destaca Dra. Denise.

Retinoblastoma: atenção aos sinais nos olhos

O retinoblastoma é o tumor intraocular maligno mais comum da infância, originado nas células da retina. Representa cerca de 4% dos cânceres infantis e apresenta alta taxa de cura quando identificado precocemente. A doença afeta aproximadamente um em cada 16 mil a 18 mil nascidos vivos e a maioria dos casos é diagnosticada antes dos cinco anos.

A doença tornou-se mais conhecida entre os brasileiros após o diagnóstico de Lua, filha do apresentador Tiago Leifert e da jornalista Daiana Garbin. Desde que tornaram público o diagnóstico da menina, os pais passaram a utilizar sua experiência para ampliar a conscientização sobre o retinoblastoma e chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce.

Um dos principais sinais de alerta é a leucocoria, popularmente conhecida como “reflexo do olho de gato”, caracterizada pela presença de um reflexo esbranquiçado na pupila. O estrabismo também está entre as manifestações mais frequentes. Diminuição da visão, alteração na coloração dos olhos, dor ocular e, em casos mais avançados, inflamação e protrusão do globo ocular também podem ocorrer.

O teste do reflexo vermelho, conhecido como teste do olhinho, tem papel fundamental na triagem de doenças oculares na infância. Diante de qualquer alteração suspeita, a recomendação é o encaminhamento imediato ao oftalmologista para investigação. Em centros especializados, a sobrevida geral para o retinoblastoma restrito ao olho é superior a 90%.

“O caso da Lua contribuiu para que muitas famílias brasileiras conhecessem o retinoblastoma, mas precisamos manter essa informação circulando. Uma alteração percebida em uma fotografia, um reflexo branco na pupila ou o aparecimento de estrabismo, por exemplo, não devem ser banalizados. É preciso procurar avaliação médica. No retinoblastoma, reconhecer os sinais e encaminhar rapidamente a criança para investigação pode fazer uma diferença decisiva”, reforça Dra. Denise.

Câncer infantojuvenil exige diagnóstico precoce

A mobilização também abordará outros cânceres que acometem crianças e adolescentes. No Brasil, estimativa do Instituto Nacional de Câncer para o triênio 2023-2025 apontava 7.930 novos casos de câncer infantojuvenil por ano. Entre os tipos mais frequentes nessa faixa etária estão as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas.

Diferentemente do câncer em adultos, não existem programas de rastreamento populacional para crianças e adolescentes. Por isso, o diagnóstico precoce é considerado a principal estratégia de prevenção secundária, envolvendo atenção dos profissionais de saúde, informação às famílias e encaminhamento ágil aos centros especializados.

Um dos desafios é que os sinais e sintomas do câncer infantojuvenil podem inicialmente se parecer com os de doenças benignas e comuns da infância. Por isso, manifestações persistentes, que evoluem ou fogem do padrão esperado precisam ser valorizadas e investigadas.

“Não queremos provocar medo nas famílias, mas ampliar o conhecimento. Muitos sinais podem estar relacionados a condições benignas, muito mais frequentes na infância. O alerta é para aquilo que persiste, evolui ou foge do padrão esperado. Nessas situações, a criança precisa ser avaliada. Quanto mais cedo conseguimos reconhecer e investigar uma suspeita, maiores são as possibilidades de iniciar o tratamento no momento adequado”, explica Dra. Denise.

Segundo documento técnico da Sociedade Brasileira de Pediatria, o câncer representa no Brasil a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, correspondendo a 8% do total. O diagnóstico tardio e as desigualdades no acesso aos tratamentos especializados estão entre os fatores associados à maior chance de óbito.

Para a SCP, levar essas informações diretamente à população contribui para construir uma rede de atenção na qual familiares e profissionais estejam mais preparados para reconhecer situações que merecem investigação.

“Nosso objetivo no dia 26 é fazer com que as famílias saiam do hospital mais informadas. Não é necessário conhecer todas as doenças, mas é importante saber que mudanças persistentes na saúde e no comportamento da criança merecem atenção. Diagnóstico precoce começa também com informação de qualidade”, conclui Dra. Denise.

Serviço

O quê: Ação educativa sobre retinoblastoma e câncer infantojuvenil
Quando: 26 de setembro de 2026, sábado, das 9h30 às 11h30.
Onde: Emergência do Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG)
Cidade: Florianópolis (SC)
Realização: Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP)

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