Os perigos e os cuidados com a chegada do verão

Com a chegada do verão, que coincide com o período das férias, a vida ganha mais atividades externas, em praias, piscinas, parques, entre outros. A socialização e as atividades esportivas e brincadeiras são de suma importância para o desenvolvimento social e cognitivo das crianças; mas existem situações que necessitam de um olhar diferente, com cuidados e prevenções, para que as sonhadas férias não se transformem em umas férias frustradas. O presidente do Departamento Científico de Prevenção de Acidentes, Dr Fábio Alves Schneider deixa recomendações para esse tempo de férias!

Gastroenterites – apesar de poder acontecer durante todo o ano as diarreias são mais comuns no verão. Muitas vezes recebemos alertas de praias que estão inaptas ao uso, mas vemos pessoas ignorando os avisos e se arriscando desnecessariamente. A primeira dica fica para seguir estes alertas. As outras vêm da Sociedade Brasileira de Pediatria:

  1. Higiene:
      • Mantenha atenção 100% na criança, sem distrações (celular, etc.).
      • Crianças pequenas (menores de 4 anos) nunca devem ficar sozinhas na banheira, nem por um segundo.
      • Adultos devem estar sempre perto da criança na água.
  2. Aleitamento Materno:
      • Esvazie baldes, bacias e tanques após o uso e guarde-os virados para baixo.
      • Mantenha tampas de vasos sanitários abaixadas, de preferência com travas.
      • Feche portas de banheiros e áreas de serviço, e mantenha cisternas/poços bem vedados e trancados.
      • O colete salva-vidas é o melhor equipamento de proteção.
  3. Alimentação Segura:
      • Instale cercas de isolamento (1,5m altura, portão com trava) ao redor de piscinas para impedir acesso não autorizado.
      • Crianças menores de 6 anos devem preferir escolas/creches sem piscinas ou lagos.
  4. Água e Soro:
      • Oferecer sempre líquidos em pequenas quantidades e mais frequência.
      • Na diarreia, usar Soro de Reidratação Oral (SRO) ou soro caseiro  para repor eletrólitos, evitando refrigerantes e sucos muito doces.

Lembrar que toda criança com diarreia deve ser sempre atendida por um pediatra.

Risco de Afogamento – a mortalidade por afogamento infantil no Brasil é um grave problema de saúde pública, sendo a segunda principal causa de morte acidental em crianças de 1 a 4 anos e a terceira para a faixa de 5 a 9 anos. Cerca de 59% das mortes ocorreram em piscinas residenciais. Dos acidentes externos, a grande maioria (70-76%), de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), ocorre em águas doces, como rios, lagos e represas e um número menor (24-30%) nas praias. Este dado está ligado principalmente ao fato de não ter serviço de salvamento na maioria dos locais de água doce e, também, por serem lugares de difícil acesso. A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático têm algumas recomendações:

1: Supervisão Ativa:

  • Mantenha atenção 100% na criança, sem distrações (celular, etc.).
  • Crianças pequenas (menores de 4 anos) nunca devem ficar sozinhas na banheira, nem por um segundo.
  • Adultos devem estar sempre perto da criança na água.

2: Ambientes Seguros (Residencial):

  • Esvazie baldes, bacias e tanques após o uso e guarde-os virados para baixo.
  • Mantenha tampas de vasos sanitários abaixadas, de preferência com travas.
  • Feche portas de banheiros e áreas de serviço, e mantenha cisternas/poços bem vedados e trancados.
  • O colete salva-vidas é o melhor equipamento de proteção.

3: Piscinas:

  • Instale cercas de isolamento (1,5m altura, portão com trava) ao redor de piscinas para impedir acesso não autorizado.
  • Crianças menores de 6 anos devem preferir escolas/creches sem piscinas ou lagos.

4: Ensino e Conscientização:

  • Ensine crianças a nadar a partir dos 4 anos, com professores qualificados.
  • Eduque sobre brincadeiras seguras: não fingir afogamento, não pular em locais desconhecidos, não se afastar do adulto.
  • Ensine a respeitar orientações de salva-vidas e placas de aviso.

5: Primeiros Socorros:

  • Pais e cuidadores devem aprender técnicas de resgate seguro e reanimação cardiopulmonar (RCP).
  • Em caso de afogamento, ligue para emergência (192/193) e, se souber, inicie compressões torácicas e ventilações (30:2) até a chegada do socorro, com material flutuante se for resgatar alguém.

 

Para Crianças Maiores e Adolescentes:

  • Evitar álcool e drogas antes de atividades aquáticas.
  • Respeitar os limites pessoais e não desafiar a própria capacidade.
  • Ficar longe de correntes de retorno (valas) no mar e seguir as orientações dos guarda-vidas.

Acidente com água-viva – é muito comum durante o verão no nosso litoral, principalmente após um dia de chuva. Existem algumas recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria:

  1. Sair da Água: Retire a vítima imediatamente para evitar mais tentáculos e afogamento.
  2. Lavar com Água do Mar: Use água do mar fria para lavar a área afetada, sem esfregar, para remover os tentáculos e diminuir a dor.
  3. Aplicar Vinagre (se possível): Banhe a área com vinagre (ácido acético 4-6%) por 30 segundos a 10.
  4. Remover Tentáculos: Use uma pinça, palito de sorvete ou cartão de crédito para retirar os tentáculos que ainda estiverem grudados, sem tocar a pele.
  5. Compressas Quentes/Frias: Água quente (40-45°C) ou compressas frias ajudam a aliviar a dor.
  6. Proteger do Sol: Mantenha a área na sombra e use protetor solar, pois o sol piora a inflamação e pode causar manchas.

O Que NÃO Fazer:

  • Não use água doce (torneira, chuveiro), álcool, ou urina: Isso libera mais toxina.
  • Não esfregue a pele: Nem com areia, toalha ou as mãos.
  • Não aplique pomadas ou outras substâncias: Apenas orientações médicas devem ser seguidas.

 

Levar a criança ao atendimento pediátrico para uma avaliação mais detalhada.

 

Queimaduras e Proteção Solar – não é raro encontrarmos nas emergências crianças com quadro de queimadura de pele e/ou desidratação por exposição prolongada ao Sol e sem proteção, muitas vezes associada com tempo exagerado dentro da água do mar e sem se hidratar. Devemos quebrar alguns mitos e informar que dentro da água do mar a queimadura acontece mais intensamente e que mesmo estando debaixo do guarda-sol deve-se passar o protetor solar.

Para Prevenção (Antes da Queimadura) a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta:

  • Bebês < 6 meses: Proteger com roupas, chapéus, guarda-sol. Evitar sol direto.
  • Crianças > 6 meses: Protetor solar FPS 30 ou superior, preferencialmente físico/mineral. Aplicar 30 min antes de sair e reaplicar a cada 2h, ou após nadar/suar.
  • Horário: Evitar o sol forte entre 10h e 16h.
  • Vestuário: Roupas, chapéus de abas largas e óculos de sol com proteção UV.

Para o Tratamento (Após a Queimadura) a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orientam:

  • Hidratação: Oferecer bastante água.
  • Resfriamento: Fazer compressas frias (não geladas) com água ou chá de camomila na área afetada ajuda a aliviar a dor e diminuir a inflamação.
  • Hidratação da pele: Aplique um hidratante calmante, preferencialmente com ingredientes como aloe vera (babosa) ou camomila.
  • Ambiente: Manter a criança em local fresco e arejado.
  • Hidratação Oral (SRO): Essencial, mesmo com vômitos, para evitar desidratação.
  • Não estourar bolhas: Caso surjam bolhas, não as rompa, pois elas funcionam como uma proteção natural para a pele nova e previnem infecções.
  • Evitar substâncias irritantes: Não utilize produtos com álcool, perfumes, manteiga, pasta de dente ou café na queimadura, pois podem agravar a lesão.
  • Proteger do sol: Evite a exposição solar direta enquanto a pele estiver em recuperação. Use roupas de proteção, chapéus e óculos escuros quando sair.
  • Analgésicos: Medicamentos anti-inflamatórios não esteroides podem ser usados para aliviar a dor e o inchaço.

 

Quando procurar um médico imediatamente

  • Se a queimadura for grande (mais de 15-20% do corpo), mesmo que pareça superficial.
  • Se atingir rosto, couro cabeludo, articulações ou genitais.
  • Se houver sinais de infecção (inchaço, pus, linhas roxas).
  • Se a criança tiver sinais de desidratação grave ou não aceitar hidratação oral.

Lembre-se que a exposição solar é cumulativa e prevenir é sempre melhor que tratar, visando reduzir riscos de câncer de pele e envelhecimento precoce.

 

Referências:

  1. https://www.sbp.com.br
  2. https://sobrasa.org
  3. https://sbd.org.br

 

Dr Fábio Alves Schneider

Pediatra

CRM/SC 8414 | RQE 4384