Membro da diretoria da SCP participa de estudo brasileiro sobre abordagem comportamental para o transtorno do espectro autista

O presidente do departamento científico de Neurologia da Sociedade Catarinense de Pediatria (SCP), Dr. Jaime Lin, assina, ao lado de outros profissionais de renome internacional, um artigo publicado no Jornal de Pediatria que traz uma reflexão importante sobre o tratamento do transtorno do espectro autista (TEA): mais horas de terapia não significam, necessariamente, melhores resultados.

Intitulado “Abordagem comportamental para o transtorno do espectro autista: qualidade versus quantidade nas intervenções”, o estudo analisa evidências científicas e reforça que a eficácia do tratamento está diretamente relacionada à qualidade das intervenções, e não à sua intensidade isolada. A publicação destaca que fatores como planejamento individualizado, capacitação dos profissionais e envolvimento da família são determinantes para o desenvolvimento das crianças.

De acordo com o artigo, o TEA é uma condição complexa e heterogênea, o que exige abordagens personalizadas. Cada criança apresenta necessidades específicas, com diferentes ritmos de aprendizagem, o que torna inadequada a adoção de modelos padronizados ou baseados apenas em carga horária de atendimento.

Os autores também chamam atenção para um equívoco comum: a ideia de que aumentar o número de horas de terapia gera melhores desfechos clínicos. Estudos revisados indicam que não há relação consistente entre a quantidade de intervenção e os resultados obtidos. Em alguns casos, inclusive, o excesso de carga pode provocar fadiga, sobrecarga e redução do engajamento da criança.

Outro ponto central abordado no artigo é a importância de intervenções baseadas em evidências científicas, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), aliadas a um acompanhamento contínuo e estruturado. O texto também alerta para os riscos da adoção de terapias sem comprovação científica, muitas vezes impulsionadas por desinformação ou pela busca urgente das famílias por alternativas.

Além disso, o estudo destaca a necessidade de qualificação profissional. A ausência de regulamentação específica em alguns contextos, como no Brasil, pode dificultar a identificação de profissionais devidamente capacitados, comprometendo a qualidade do cuidado oferecido.

Ao final, os autores reforçam que o sucesso das intervenções no TEA depende de uma abordagem integrada, baseada em evidências, com metas claras, acompanhamento constante e participação ativa da família. Mais do que quantidade, o que realmente impacta o desenvolvimento da criança é a consistência e a qualidade do cuidado.

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