Bateria de botão: um pequeno objeto que pode causar lesões graves e até levar à morte

Médicos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) traduziram adaptaram para o português um importante material educativo produzido pela Federation of International Societies for Pediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition (FISPGHAN), reforçando o alerta sobre um dos acidentes domésticos mais perigosos da infância: a ingestão de baterias de botão.

Pequenas, discretas e presentes em inúmeros objetos do cotidiano, as baterias de botão podem ser encontradas em controles remotos, brinquedos, relógios, calculadoras, chaves eletrônicas, aparelhos auditivos, cartões musicais, lanternas e até em roupas e calçados com luzes. Muitas vezes, os compartimentos desses dispositivos possuem sistemas de abertura simples, o que facilita o acesso das crianças.

A ingestão dessas baterias constitui uma emergência médica pediátrica gravíssima. Quando a bateria fica presa no esôfago, ocorre uma reação química com a saliva que pode provocar queimaduras profundas em poucas horas. Em apenas duas horas já podem surgir lesões severas, com risco de perfuração do esôfago, sangramentos, fístulas, infecções graves e até morte.

As crianças menores de seis anos são as mais vulneráveis, especialmente pela curiosidade natural da idade e pela tendência de levar pequenos objetos à boca.

Um dos grandes desafios é que nem sempre os sintomas aparecem imediatamente. Mesmo sem sinais evidentes, lesões importantes podem estar em desenvolvimento. Entre os principais sinais de alerta estão tosse, engasgos, dificuldade para engolir, excesso de saliva, vômitos, respiração ruidosa, dor no peito e recusa para se alimentar ou ingerir líquidos.

A presença de sangue na saliva, no vômito ou nas fezes é considerada um sinal de gravidade e exige atendimento emergencial imediato.

O que fazer diante da suspeita de ingestão?

Se houver suspeita de que uma criança engoliu uma bateria de botão:

  • Procure atendimento médico imediatamente;
  • Acione o serviço de emergência, se necessário;
  • Leve o dispositivo ou uma bateria semelhante para auxiliar a equipe médica;
  • Solicite avaliação urgente e realização de raio-X.

É importante não provocar vômitos, não oferecer alimentos ou bebidas e não aguardar o aparecimento de sintomas.

Em situações específicas, crianças com mais de um ano de idade, capazes de engolir e cuja ingestão tenha ocorrido há menos de 12 horas, podem receber mel durante o deslocamento ao hospital, seguindo orientação médica. O mel não substitui o atendimento de emergência e jamais deve atrasar a busca por assistência.

A prevenção salva vidas

A melhor forma de evitar acidentes é impedir o acesso das crianças às baterias de botão. Os especialistas recomendam manter esses objetos fora da vista e do alcance dos pequenos, verificar regularmente se os compartimentos dos aparelhos estão devidamente fechados e descartar baterias usadas de forma segura.

A campanha internacional reforça uma mensagem simples e essencial: diante da suspeita de ingestão de uma bateria de botão, cada minuto conta. O reconhecimento rápido do problema e a procura imediata por atendimento médico podem fazer toda a diferença para evitar sequelas graves e salvar vidas.

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