A nova pirâmide alimentar americana mudou, corroborando os guias alimentares brasileiros — e isso diz muito sobre o futuro da alimentação infantil
A atualização mais recente das diretrizes americanas reforça algo que nós, da nutrologia pediátrica, já defendemos há anos:
– menos produtos ultraprocessados
– mais alimentos de verdade, ou seja, in natura ou minimamente processados
– atenção especial aos primeiros anos de vida
As diretrizes alimentares americanas mais recentes colocam em evidência que a infância é uma janela crítica de programação metabólica, imunológica e comportamental. A nova proposta afasta-se definitivamente do foco isolado em macronutrientes e aproxima-se do conceito de padrão alimentar baseado em alimentos in natura e minimamente processados.
Nesse cenário, vale destacar que o Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) e especialmente o Guia para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos (2019), que já incorporam há anos essa abordagem centrada em:
- grau de processamento dos alimentos
- ambiente alimentar
- formação do paladar e do comportamento alimentar
Ultraprocessados na infância não são apenas “calorias vazias”.
A evidência atual associa seu consumo precoce a:
- maior risco de obesidade e síndrome metabólica
- maior risco de doenças crônicas não transmissíveis, doenças neurológicas e neoplasias
- alteração da microbiota intestinal
- pior autorregulação do apetite
- maior seletividade alimentar
Na prática clínica, orientar famílias a partir do grau de processamento — e não apenas de tabelas nutricionais — melhora adesão, compreensão e autonomia parental.
Alimentos in natura e minimamente processados devem ser a base:
- frutas, legumes e verduras
- arroz, feijão, raízes e tubérculos
- ovos, carnes, leite e derivados lácteos
Mais do que prescrever “o que comer”, nosso papel é proteger a janela alimentar da infância, reduzindo a normalização dos ultraprocessado como parte da rotina, orientando o comportamento alimentar, prevenindo agravos na infância e estimulando as habilidades culinárias da família e da criança
Como você tem abordado ultraprocessados nas suas orientações em consultório?
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Dra Ana Paula Aragão
Pediatra | Nutrologia Pediátrica
CRM/SC 16078
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Dra Mônica lisboa Chang Wayhs
Pediatria | Nutrologia Pediátrica
CRM/SC 6368
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