Julho Amarelo: Pediatras reforçam a importância da prevenção das hepatites virais desde a infância

O mês de julho é marcado por uma importante campanha de conscientização sobre as hepatites virais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 28 de julho como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais e, no Brasil, a Lei nº 13.802 criou o Julho Amarelo, reforçando ações de prevenção, vigilância e controle dessas doenças.

As hepatites virais são infecções que acometem o fígado, provocando inflamação e podendo evoluir para complicações graves. Embora muitas vezes sejam associadas à população adulta, a prevenção dessas doenças começa ainda na infância, principalmente por meio da vacinação e dos cuidados com a higiene.

As hepatites virais têm grande importância pelo número de indivíduos atingidos e pela possibilidade de complicações das formas agudas e crônicas. São um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo estimativas, bilhões de pessoas já tiveram contado com os vírus das hepatites e milhões são portadores crônicos. Em muitos casos, os sintomas não aparecem nas fases iniciais e a doença só é descoberta anos depois, quando já ocorreram complicações como cirrose ou câncer de fígado.

Segundo a gastroenterologista pediátrica Dra. Nilza Perin, a conscientização desde os primeiros anos de vida é fundamental. “A infância é um momento decisivo para a prevenção das hepatites virais. Temos vacinas seguras e eficazes contra as hepatites A e B, disponíveis no calendário nacional de imunização, além de medidas simples de higiene que ajudam a evitar a transmissão. Muitas dessas infecções podem não apresentar sintomas inicialmente, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento pediátrico regular”, destaca a médica.

Os principais vírus causadores das hepatites são os tipos A, B, C, D e E.  As hepatites A e E são transmitidas principalmente pela via fecal-oral, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados ou pelo contato com pessoas infectadas. Por isso, crianças estão entre os grupos mais expostos quando há falhas de saneamento básico e higiene.

Já a hepatite B pode ser transmitida pelo contato com sangue e outros fluidos corporais contaminados, além da transmissão da mãe para o bebê durante a gestação, parto ou amamentação. A hepatite C também está relacionada ao contato com sangue contaminado, enquanto a hepatite D ocorre apenas em pessoas previamente infectadas pelo vírus da hepatite B.

Como prevenir

Todas as hepatites virais podem ser evitadas com alguns cuidados. Para a do tipo A, o recomendado é lavar as mãos com água e sabão após ir ao banheiro, trocar fraldas e antes de cozinhar ou comer, além do uso de água tratada, saneamento básico e higienização adequada dos alimentos.

Já a prevenção das hepatites B, C e D dá-se, principalmente, evitando o contato com sangue contaminado. Recomenda-se a utilização de materiais esterilizados ou descartáveis e não compartilhar itens, equipamentos ou utensílios de uso pessoal, como lâminas de barbear, alicates de unha, seringas, etc. Também é importante o uso do preservativo nas relações sexuais, e as testagens regulares, inclusive no pré-natal.

Na adolescência, é fundamental conversar sobre o uso de preservativo para prevenir a  hepatite B  por meio das relações sexuais.

Além disso, as hepatites A e B podem ser prevenidas por meio de vacinação, e ambas estão previstas no calendário nacional de imunização.

O tratamento depende do vírus. Não existe tratamento para a Hepatite A que costuma ter um quadro autolimitado, entretanto pode evoluir para hepatite fulminante. As hepatites B e C tem tratamento medicamentoso.

Para a Sociedade Catarinense de Pediatria, o Julho Amarelo é uma oportunidade para reforçar a importância da vacinação, dos hábitos de higiene e do diagnóstico precoce, garantindo mais proteção para crianças, adolescentes e suas famílias.

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Dra. Nilza Perin
Pediatria | Área de atuação: Gastroenterologia Pediátrica

CRM/SC 5517 | RQE 5204
Presidente do Departamento Científico de Hepatologia da SCP

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