A Sociedade Catarinense de Pediatria participa de uma mobilização nacional em defesa do direito de toda criança ser atendida por um pediatra. A iniciativa integra uma campanha que ocorre simultaneamente em todas as capitais do país e busca chamar a atenção para a importância da presença do especialista desde a Atenção Primária até as maternidades. Em Santa Catarina, a realidade é preocupante.

Dependendo da região, entre 20% e 40% das crianças não têm acesso a um pediatra, seja em consultas de rotina ou nos atendimentos por doença. Levantamento realizado em parceria com a Associação Catarinense de Medicina revela que três em cada quatro unidades básicas de saúde do Estado não contam com esse profissional.

A pesquisa aponta ainda que 69% das crianças catarinenses dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde, e apenas 18% utilizam planos privados. Embora 72,2% das consultas de rotina sejam realizadas por pediatras, esse índice cai significativamente em algumas regiões.

Nos atendimentos por doenças e emergências, pouco mais da metade das crianças passa por avaliação com especialista, número ainda menor em áreas como o Oeste e a Serra.

Os dados também mostram que o atendimento realizado por pediatras apresenta maior resolutividade e maior nível de confiança das famílias. Quando a criança é atendida por um especialista, a resolução do problema de saúde chega a 82%, percentual que diminui quando o atendimento é feito por outros profissionais.

A ausência do pediatra na Atenção Primária contribui para a sobrecarga de hospitais e unidades de pronto atendimento, já que a maioria das famílias busca diretamente os serviços de urgência.

O estudo traz ainda um alerta para o início da vida. O Estado registra taxas elevadas de cesárea, muito acima do recomendado internacionalmente, e, em parte dos partos, não há pediatra presente, apesar da exigência legal.

Considerando que uma parcela dos recém-nascidos necessita de intervenção imediata e que há fatores de risco já identificados ao nascer, a presença do pediatra na sala de parto é fundamental para garantir segurança e acompanhamento adequado desde os primeiros minutos de vida.

O cenário reforça a necessidade urgente de fortalecer a presença do pediatra na rede pública, assegurando avaliação qualificada, prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. Defender o acesso ao especialista é defender o desenvolvimento saudável da infância e o futuro da sociedade.